CHOCOLATES COM ARTE ® ---------------- Domingo, 01 de Agosto de 2010.







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        Ouro para os maias e Bebida dos Deuses para os astecas, o chocolate foi uma das principais "descobertas" dos europeus que chegaram à América equatorial no final do século XV. Ao provar (e aprovar) aquela bebida amarga, produzida a partir das sementes do cacau, os colonizadores deram início a uma das mais extraordinárias histórias do uso dos alimentos pelo homem. Levado para a Europa em meados do século XVI, o chocolate se tornaria em pouco tempo uma das sobremesas mais populares do mundo.

        Na maior parte de sua história, que tem pelo menos 3.000 anos, o chocolate foi consumido apenas como bebida. De acordo com a receita primitiva dos maias, o primeiro passo era torrar e triturar as sementes secas do cacau. A pasta daí resultante, misturada à água, ao mel, à farinha de milho e a algumas especiarias, dava um líquido escuro, tratado como um bem precioso, quase sagrado. Vasos antigos, típicos da cultura maia, mostram desenhos de mulheres manipulando a bebida.

        A evolução do chocolate abrange alterações na forma e no conteúdo. A primeira grande inovação ocorreu, no século XVI, quando os espanhóis adicionaram-lhe o açúcar trazido da Ásia. Abriu-se assim o caminho para a popularização do chocolate na Europa. A outra grande novidade foi a adição do leite, já no século XIX. Daí em diante, as mudanças foram mínimas. Até hoje a fórmula básica do chocolate consiste na mistura dos três ingredientes: cacau(35% a 40%), açúcar(40% a 45%) e leite(20%). A eles se acrescentam, em pequenas frações, cerca de 40 outros ingredientes, como castanhas, avelãs e frutas secas. O chocolate é um alimento essencialmente natural, que dispensa aditivos ou conservantes. A gordura nele contida não oxida facilmente. Sua durabilidade alcança mais de um ano, graças ao baixo teor de água.

        A introdução do chocolate na Europa foi lenta e cuidadosa. Ciosos do monopólio sobre a nova mercadoria, os espanhóis inicialmente confiaram aos monges a manipulação da bebida, que logo caiu no gosto da aristocracia acostumada a consumir chá. Enquanto os nobres degustavam o chocolate em salões, os religiosos foram autorizados a consumi-lo sem que isso representasse quebra de jejum. Ora sagrado, ora profano, o chocolate já foi considerado pecado, remédio (laxante) e até afrodisíaco.


        Para se estabelecer na Europa - ainda hoje o principal centro de geração de tecnologias associadas ao consumo deste alimento --, o chocolate disputou espaço com o chá e, a partir do final do século XVIII, com o café. Enquanto este era apresentado como uma bebida forte, própria para homens responsáveis, o chocolate era mais associado às mulheres; tinha, por isso, uma conotação de coqueteria, dissipação e frivolidade. O preconceito machista não impediu que a antiga bebida dos maias e astecas chegasse ao povo.

        O chocolate começou a se transformar num produto de consumo popular a partir de 1828, quando o químico holandês Coenrad van Houten patenteou um novo processo de fabricação de chocolate em pó. Com menor teor de manteiga de cacau, o pó de van Houten, tratado com sais, se dissolvia mais facilmente na água. O segundo passo para a popularização do chocolate deu-se em 1849, em Bristol, onde a firma Joseph Fry & Sons apresentou o primeiro chocolate em tablete. A solidificação do produto abriu caminho para o aproveitamento do leite em pó, formulado na mesma época. Mas foi Rudolph Lindt, outro suíço, quem projetou a máquina que tornou o chocolate ao leite mais macio. Com a mecanização, viabilizou-se a produção de chocolate em larga escala e a custos reduzidos. Quem popularizou de fato o chocolate foi a Revolução Industrial.

        Desde então, o chocolate espalhou-se pelo mundo, tornando-se uma sobremesa irresistível que, pura ou acompanhada de café ou licor, se apresenta sob as mais variadas formas e embalagens: bolo, bombom, sorvete, tablete ou torta. E o pó, naturalmente. Inventados no século XX, os bombons e os ovos de Páscoa são fórmulas relativamente novas de difusão do consumo de chocolate. Seguindo a tradição festiva do produto, são francamente associados a datas comemorativas. O chocolate é efetivamente um presente cheio de significados.

        Além de ser indescritivelmente saboroso, o chocolate é um dos alimentos mais completos já inventados pelo homem. Uma barra de 100 g contém aproximadamente 528 calorias, 4,4 g de proteínas, 94 g de cálcio, 142 mg de fósforo, 1,4 mg de vitamina A, 0,02 mg de vitamina B1 e 0,14 mg de vitamina B2. Em pó, os mesmos 100 g terão menos calorias, mais proteínas, menos cálcio, mais fósforo, mais ferro e um pouco mais de vitaminas.


        Apesar de excepcionalmente rico, o chocolate não é recomendável como alimento isolado. Em situações extraordinárias, porém, ele tem poder energético suficiente para substituir refeições. Tanto é que atletas, pilotos aéreos, soldados e navegadores se valem dele como complemento alimentar.

        Os povos primitivos acreditavam nas sementes do cacau como uma fonte de poder. Os astecas chegaram a usá-las como moeda de troca em transações comerciais. Em 1753 o botânico sueco Linneu consagrou as crenças primitivas ao dar ao cacaueiro o nome científico de Theobroma cacao. Theobroma, do grego, quer dizer alimento divino.

        Nativo das florestas equatoriais da América, o cacaueiro é uma planta de porte médio que gosta de calor, sombra e umidade. Aprecia solos profundos, não encharcados. Os frutos de casca amarela têm uma polpa branca, adocicada, no meio da qual se desenvolvem as sementes. São amêndoas que equivalem a apenas 8% do peso do fruto.

        São três as variedades principais do cacaueiro: o criollo, que se desenvolveu na América Central, até o sul do México; o forastero ou amelonado, originário da bacia do rio Amazonas, no norte da América do Sul; e o trinidario, da ilha de Trinidad. O mais cultivado no mundo é o forastero.

        O cacaueiro foi disseminado no mundo, inicialmente, pelos próprios espanhóis. Primeiro eles facilitaram o plantio de sementes nas Américas espanhola e portuguesa. Em meados do século XVIII, o cacaueiro começou a ser cultivado(inicialmente como planta ornamental) em fazendas do sul da Bahia, onde ele encontrou um ambiente extremamente favorável, a ponto de fazer do Brasil um dos grandes produtores mundiais de cacau. Na primeira metade do século XIX, o cacaueiro foi introduzido em colônias européias na África. Hoje mais da metade da produção mundial de cacau vem de países africanos.

        O fascinante poder do chocolate alimenta uma polêmica antiga e persistente sobre os efeitos do seu consumo sobre a saúde humana. Nos últimos 20 anos, diversas pesquisas científicas procuraram responder a certas dúvidas dos fabricantes e consumidores de chocolate.


        Um ponto pacífico é que, graças à ação do alcalóide chamado theobromina, o chocolate tem efeito relaxante sobre o organismo humano. Embora esteja presente em fração mínima no chocolate - no máximo, 2,5% do chocolate em pó de uso doméstico --, a theobromina age principalmente sobre os músculos lisos, sendo responsável por uma pequena dilatação das artérias coronárias, da musculatura esquelética e da válvula do esôfago. Daí provavelmente os efeitos diurético e laxante do chocolate.

        Na Universidade de Middlest, no Reino Unido, um teste com 60 voluntários indicou que o cheiro do chocolate reduz as ondas cerebrais chamadas tetas, ligadas ao estado de alerta e atenção. Segundo a psicóloga Yael Jerby, da Universidade de Bar-llán, em Israel, o chocolate aumenta a ação de um neurotransmissor chamado serotonina, que ajuda a melhorar a resposta a situações de tensões. Para a pesquisadora, que contou com o apoio de 100 voluntários, uma barra de chocolate provoca o mesmo efeito de uma sessão de relaxamento de vinte minutos. Depois da pesquisa, ela passou a desaconselhar o corte do chocolate nas dietas de emagrecimento por acreditar que isso acarretaria uma ansiedade ainda maior.

        No momento em que o aumento das taxas de colesterol no sangue humano começou a alarmar os cardiologistas do mundo inteiro, o chocolate virou suspeito outra vez. Mas não por muito tempo. Além de descobrir que os fenóis contidos no chocolate preto ajudam a eliminar o mau colesterol, os médicos concluíram que a baixa taxa de eliminação das toxinas está associada ao estresse.

        O médico americano David Kritchevsky, da Universidade da Pensilvânia, mediu os níveis de colesterol do sangue de cobaias de laboratório alimentadas com doses excessivas de chocolate e concluiu: "Do ponto de vista fisiológico o chocolate é um alimento e não apresenta nenhuma ameaça a saúde, quando ingerido com moderação". Além disso, segundo o Dr. Kritchevsky, problemas de pele como cravos e espinhas nada têm em comum com o consumo de chocolate.

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